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Hostel

A vida privada de cada um de nós compreende a sua intimidade, mas não se esgota nela. Afinal, como dizia a poetisa “Como se um grande amor cá nesta vida não fosse o mesmo amor de toda a gente!...”.

Hostel

A vida privada de cada um de nós compreende a sua intimidade, mas não se esgota nela. Afinal, como dizia a poetisa “Como se um grande amor cá nesta vida não fosse o mesmo amor de toda a gente!...”.

09
Set22

Porto Santo

Luisa Brito

Começamos a descer e lá está ela. Sai-me, "tão pequeninicha!" Confirmaremos mais tarde. Cerca de 20 vezes mais pequena, e no entanto mais velha, que a Madeira.

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Pequenina, mas muito diversificada. Na costa Sul, e apenas aí, cerca de 9 km de praia de uma areia finíssima, e por isso fofa, composta por fragmentos de conchas, corais e algas calcárias. Dizem os profetas (habitantes de Porto Santo) que o Ilhéu de cima (ilhéu do farol) e o ilhéu de baixo (Ilhéu da cal) são os guardiões da areia desta praia dourada .

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Impressionou-nos, em particular, a Fonte da Areia. O vento arrasta as areias destas formações, alimentando a praia no lado oposto da ilha.

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Outra formação completamente distinta é o Piano, no Pico Ana Ferreira. Um conjunto de colunas prismáticas cujas faces formam maioritariamente hexágonos. O nome do Pico associado a uma lenda sobre uma jovem, Ana Ferreira. Esta lenda tem várias versões, mas simpatizamos com esta versão do guia segundo a qual Ana Ferreira teria sido feita prisioneira numas grutas da zona por, alegadamente, ser amante do rei. Neste pico teria escondido o seu tesouro, provavelmente joias que o rei lhe trazia para a compensar desse exílio. Diz-nos o guia que ainda hoje muitos buscam esse tesouro.

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Noutra visita de barco em torno da ilha, observamos as galerias perfuradas na rocha para a extração de cal no Ilhéu da cal e, no topo, vestígios de antigas construções que serviam de abrigo aos trabalhadores. Nestas minas de extracção de cal pereceram vários homens, pelo que estas minas foram desactivadas nos anos 70 do século passado, na sequência da diminuição do valor económico na cal e de um acidente que vitimou 16 homens.

Porto Santo, agora muito erodida, foi berço de muitos dragoeiros que quase foram levados à extinção devido à ganância dos exploradores que os sacrificavam pela sua seiva vermelha cor de sangue (sangue de dragão - daí dragoeiro) muito usada ​​na tinturaria e para fins medicinais.

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Tanto mais que haveria a dizer desta pequena ilha, mas não posso deixar de me referir ao vocabulário. Por exemplo, uma meia de leite é uma chinesa. A chinesa valeu uma conversa bizarra entre mim e um empregado do bar Colombo. À minha pergunta “meia de leite diz-se da mesma maneira?” Parecia-me que ele respondia qualquer coisa sobre falar chinês. E eu insistia “não. a sério.  diga lá. diz-se da mesma maneira?” E o rapaz, já enfadado, repetia. Até que percebi! Meia de leite é chinesa! Assim como um abatanado é um chino. Mas garoto é garoto. Pronto, é assim.

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Foi também com os jovens do bar Colombo que aprendi como se faz a verdadeira “poncha à pescador”. Feita na hora, com casca e sumo de limão, açúcar e aguardente de cana da Madeira, com o auxílio do pau da poncha. A jovem mostrava-me o pauzinho de madeira e dizia-me o nome. Como eu não percebesse, teve de mo repetir três vezes e eu não percebi das três vezes. Mas à terceira, para não ser maçadora e porque me pareceu que se calhar era o que eu estava a pensar…, respondi com um condescendente “Ah!”. Só mais tarde confirmei que o nome é “mexelhote”, mais conhecido pelo nome que a moça repetiu três vezes na sua pronúncia de profeta “caralhinho”. Também a “sopa de trigo” me valeu outra conversa de moucos. “Já provou sopa de trigo?” “sopa fria? ainda não”. Revirar de olhos do outro lado. ”sopa de trigo!!”.”sopa de trigo, também não...” E o que dizer da, merecidamente afamada, “lambeca”, um gelado típico de Porto Santo há mais de cinquenta anos. Estes gelados contam com cerca de 25 sabores diferentes (quatro disponíveis a cada dia). Muito cremosos, sim senhores. E o crepe (Suíço) no palito, que eu desconhecia. Em versão doce e salgada. Muito bom!

Ademais, come-se muito bem, e relativamente em conta, em Porto Santo. De realçar, todo o tipo de peixe grelhado com que nos consolámos (Mercado Velho), as lapas (Appolo 14 e todos), o filete de espada com banana em maracujá e legumes (Calheta e Pxo grill) e até o crepe Suzzete (flambé) com a merecida encenação (Pxo grill). Refeições simples (A Praça e Pizza N’Areia) (Só não gostámos do Bar do Henrique - 15,50 euros por 4 pequenos camarões...). E por todo o lado, bolo do caco e bolo da Madeira, cujas origens são disputadas entre profetas e vilões (Madeirenses). As mil lojinhas em Vila Baleira, onde entramos e saímos, deixando-nos ou não tentar, por mais ou menos bagatelas. Tudo isto é Porto Santo.

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Mas, principalmente, o que gostámos em Porto Santo foi a simpatia e a educação das pessoas. As festas da Senhora da Piedade em Vila Baleira. À noite, com música e danças tradicionais da Madeira. A igreja toda iluminada e florida, cheia de gente que rezava, colocava velas, ou simplesmente em convívio, porque a igreja são mesmo as pessoas. A temperatura ambiente amena, com pequenas amplitudes térmicas, a temperatura de uma água muito cristalina, onde até os friorentos como eu entram sem hesitação. A cor do mar em tons de azul e verde emoldurado pelo cinzento escuro, castanho ferro e esverdeado das rochas.

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E, no final da tarde, em Vila Baleira na zona do porto velho, os meninos a saltar do pontão já fazem parte da paisagem.

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Era estranho não ver o pôr do Sol no mar, em Porto Santo. Mas até isso se conseguiu rumando à Ponta da Calheta, onde a praia termina em frente ao ilhéu da cal. Assim fizemos e, como nós, alguns outros aficionados pelo pôr do sol, o aguardavam. E assim juntos, como uma irmandade que se sente ainda mais gratificada pela partilha desta sensação, nos deliciámos com esta dádiva da natureza, já antecipando um outro prazer, o de um peixinho, servido mesmo ali ao lado.

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Porto Santo é realmente uma pequena grande ilha. Portugal está de parabéns, mas Porto Santo merecia mais atenção por parte dos poderes regional e central, porque Porto Santo é muito mais que uma praia, do que um destino de férias.  Os Profetas deveriam reivindicar mais para a sua, para a nossa ilha.

 

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21
Ago22

Sorrento

Luisa Brito

Continuando para Sul, a partir de Nápoles, o Campania Express leva-nos até Sorrento. Sorrento poderá derivar do latim Surrentum, sereias. Parece-me bem. A cidade das sereias situada sobre uma grande falésia debruçada sobre o muito azul Mar Tirreno.

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Sorrento é encantadora. O amarelo/verde limão está por todo o lado. Em licor (limoncello), nos rebuçados, nos biscoitos, nas pastas, nos gelados, na cerâmica, nos tecidos. Os turistas vestem-se com este padrão vendido por todo o lado.

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A Piazza Tasso, um ponto de referência no centro histórico, desemboca no Corso Italia, com lojas elegantes e espaços de restauração.

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Junto ao ascensor, debruçamo-nos sobre as “praias”. Na realidade, passadiços de madeira sobre rochedos, em cima de um mar muito azul e transparente, onde se paga, e muito, para apanhar sol. Ai a nossa maravilhosa e, essencialmente, gratuita costa Portuguesa!

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A Marina Grande e a Marina Piccola, que na realidade são o oposto em termos de dimensão. Na Marina Piccola encontra-se o terminal de onde partem os barcos, incluindo os de passeio a ilhas e praias da Costa Amalfitana.

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Na Marina Grande, terá surgido Sorrento numa pequena vila de pescadores. É uma zona tranquila, nada semelhante ao requinte da zona da praça Tazzo e do Corso Itália, embora actualmente pareça bastante esquecida dos poderes locais.

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Em Sorrento, a oferta hoteleira é relativamente grande e para todos os bolsos. E em termos gastronómicos há também muita escolha. Se bem que durante o mês de Agosto, nada é suficiente. Apanhámos dias de muito calor e noites de chuva torrencial. Alguns mais resilientes, acabavam de jantar nas espanadas, com o garfo numa mão e o guarda-chuva na outra. Nós, rejeitados em tudo quanto era restaurante, perdidos os lugares de esplanada, não tivemos outro remédio senão correr para o hotel com umas pizzas de take-away, protegidas pelo único chapéuzinho de chuva da bagagem. Noutra noite, já com reserva num restaurante a quatro minutos do hotel, para jantar foi preciso enfrentar o temporal e chegámos ao restaurante como esfregões ensopados.

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A partir de Sorrento alcança-se Positano e Amalfi. Também Capri e a grotta azzurra, impossíveis de não recordarmos de outra viagem, fica a meia hora de Sorrento.

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Depois de uma recompensada espera em fila de mais de 1 hora, despedimo-nos de Sorrento e da costa Amalfitana com uma refeição inesquecível na La Cantinaccia del Popolo.

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17
Ago22

#cuoredinapoli

Luisa Brito

Para quem conhece meia dúzia de cidades do Norte e Centro de Itália, incluindo Veneza, Florença e Roma, Nápoles foi uma surpresa. Nápoles é diferente. Menos rica, menos limpa, menos bela, por certo mais esquecida dos poderes centrais, discriminada pelos italianos do Norte, dizem, como perigosa, suja e pobre. Ainda assim, Nápoles é genuína e nunca nos sentimos em perigo. Em Agosto, Nápoles está banhada de turistas e no centro histórico há movimento até muito tarde. Por ser uma cidade menos rica, para um Português, o custo de vida em Nápoles é muito mais aceitável do que no Norte/Centro de Itália. E, em geral, os Napolitanos são simpáticos e educados.

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Até à chegada de Maradona, em 1984, o Napoli era quase inexpressivo em conquistas. Com Maradona, o clube começou a ganhar títulos numa Itália dominado por gigantes como a Juventus e o Milan. Fora de campo, os feitos liderados pelo talento do Argentino tiveram um enorme simbolismo social. Era a vitória de Nápoles frente ao preconceito dos italianos do Norte. Maradona passou a ser idolatrado pelos napolitanos, e esta adoração, como se de Deus se tratasse, continua hoje muito visível, particularmente no Quartieri Spagnoli, um bairro antigo de Nápoles e um dos mais pobres, e considerado perigoso, do centro da cidade.

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Foi no Quartieri Spagnoli que nos demos conta do #cuoredinapoli e que entendemos o gesto do dono do restaurante Al 53, na Piazza Dante, ao oferecer-me um pequeno coração vermelho. Brincava comigo sobre a excelência do bacalhau Português, dizendo “não temos bacalhau, mas temos isto”.

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O projeto #cuoredinapoli tem origem no Kiss Festival, em Nápoles em 2014 e 2015. Tomou então visibilidade e foi disseminado pelas redes sociais tornando-se viral. Ao longo do tempo, tornou-se num símbolo da cidade que nele se identifica num conjunto de sinergias, de caracter artístico entre outras, que sublinham a união do povo Napolitano, em torno de um bem comum.

19
Jun22

As palavras

Luisa Brito

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As palavras lidas ou escutadas, ditas, sugeridas ou caladas, porque o silêncio são também palavras, que se não dizem.

Sempre procurei as palavras. Escapam-se-me nos bons momentos “não se declina a felicidade”. Nos maus, procuro-as, nos livros, nos outros, em mim, outra vez nos livros, abertos ao acaso, tal a minha sede de palavras. As palavras nunca me falham. Mesmo essas, as que não se dizem.

Há quem se alimente de música, de pintura. Eu gosto de música, de pintura, mas alimento-me de palavras. Quase sempre as encontro nos livros “é isto! o que eu queria dizer, mas não sabia. Abençoado!” Outras, ressoam em mim, palavras simples ou complicadas, “tomorrow” que é um “tergiversar” que há-de levedar num “sim” ou num “não”, e tantas outras, que difícil é desembrulhá-las, dar-lhes o sentido da razão ou do coração, esse equilíbrio também custoso de alcançar.

As que não se dizem porque, tudo já foi dito e, uma palavra a mais pode destruir mais do que uma palavra a menos. Depois de dita a palavra não pode ser desdita, por muito que se tente, não pode. Mas também nada importante deve ser deixado por dizer. Uma única palavra omissa pode abrir passagem para tudo o que se não quer. É este o poder da palavra, para o bem e para o mal.

Amo palavras, alimento-me de palavras, chego a inventá-las. E também gosto de as casar com imagens. Palavras que são só minhas, que são só nossas. Palavras que me foram dadas e que reparto. As que ninguém percebe, as que consolam, as que amparam, as que alegram, as que magoam. As que podem matar e as que podem salvar. Tantas palavras. E tantas outras que se não dizem e também que se dizem. E tanto silêncio no que se não diz e também no que se diz…

05
Abr22

Vemos, ouvimos e lemos...

Luisa Brito

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Vemos, ouvimos e lemos… declarações opostas, opiniões contrárias, imagens que falam em qualquer idioma, mas com interpretações diversas. Algumas, tão em rota de colisão com as nossas convicções mais profundas, que nos esmagam ou muito pelo contrário. Temos a liberdade de expressar o que pensamos, sem receio por nós ou pelos nossos. Temos a liberdade de deixar o outro se expressar. E esta liberdade é tanto maior quanto mais o outro pensa de modo diverso. Sinal de maturidade, deixar os que pensam de modo diferente fazê-lo, por vezes, até mesmo em nossa "casa"… Isto é ser livre. A liberdade do outro é a condição da minha própria liberdade. Isto é viver em democracia. A democracia é muito mais do que política. A democracia e os direitos humanos são conceitos profundamente relacionados. Os direitos de todos os Homens, independentemente de raça, género, credo ou orientação, sejam eles quais forem. A democracia é um caminho que fazemos juntos, em família. Também em família, muitas vezes discordamos, também em família a vivência se faz muitas vezes de avanços e recuos. Mas sempre que alguém, agora em conflito armado, atenta contra a dignidade humana, a família deve unir-se na defesa dos direitos humanitários. A política vem depois. Não se trata de esquerda ou de direita. Trata-se de pessoas! De homens, mulheres e crianças. E numa altura em nos entra pela casa dentro uma barbaridade que extravasa em muito as, já de si, cruéis consequências da guerra, o mínimo que podemos fazer é corar de vergonha.  Nós que podemos, não só ver, ouvir e ler como, dizer e escrever o que pensamos, precisamente, porque vivemos em democracia.

23
Mar22

A Guerra

Luisa Brito

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Milhares de pessoas na estação ferroviária de Kharkiv - Ucrânia (Março de 2022). (Fotografia confirmada como verdadeira)

Estávamos guardados para viver uma pandemia. E como se não fosse já suficiente, estávamos também guardados para viver uma Guerra aqui, mesmo ao lado, na velha Europa. A Primeira Guerra, a Segunda Guerra Mundial, pensávamos, não se repetirão jamais. Os tempos mudaram. As pessoas também. Aprende-se com os erros, a História ensina. Mas “a História ensina que os governos e as pessoas nunca aprendem com a História”. Como é que a Europa democrática, como é que o mundo democrático, desvalorizou um ditador? Porque os tempos são outros. O comunismo desvirtuado da antiga União Soviética, que nada tinha a ver com o comunismo que os jovens como eu idealizavam através de Lenine “Poderá uma nação que oprime outras nações ser livre?” ou de Karl Marx “O povo que subjuga outro, forja as suas próprias cadeias”, esse “comunismo” estava acabado. Pelo menos, assim o acreditavam muitos de nós. Enganámo-nos. Enquanto na velha Europa muitos advogavam o desinvestimento no armamento, dizendo não à guerra e sim a um mundo cada vez mais unido económica, social e politicamente, o ditador suspirava pelo regresso da Rússia czarista.

Antes da pandemia, tínhamos planeado uma visita em família à Polónia: Varsóvia e Cracóvia. Visitar Auschwitz-Birkenau. Será devastador, mas ainda assim necessário para que nós e os nossos filhos não nos esqueçamos que Hitler existiu, que foram cometidas atrocidades que estão para lá de qualquer adjectivo. Como dizia Viktor Frankl ”A maldade existe” e é preciso que não nos esqueçamos nunca disso. Agora que a pandemia nos deu tréguas, tínhamos voltado a planear essa visita. Mas a Polónia deixou de ser um destino de férias. A Polónia, refúgio de milhões de mulheres e crianças ucranianas, relembra-nos agora, de novo, a guerra. A sede alienada de poder que gera destruição e horror, o desprezo pelos direitos humanos, aqui mesmo ao lado, na velha e ”culta” Europa. Como é possível, meu Deus? Em pleno século XXI? Todos os dias as notícias desta guerra nos entram pela casa dentro. E dizemos para nós que não pode ser assim, que temos de nos proteger de tanta violência. Temos? Nós? Se mais uma vez é necessário que nenhum de nós esqueça que estão a ser cometidos crimes de uma guerra injustificável, que o Putin existe? Se ucranianos e russos se matam todos os dias, sem perceberem porquê? Se ninguém sabe o que ainda estará para vir? "Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar". A maldade existe! Nunca deixou de existir. E é preciso que não nos esqueçamos nunca disto. E que os países democráticos, que agora se mostram verdadeiramente unidos de forma plenamente solidária, nunca mais se deixem apanhar de mãos atadas na defesa dos direitos humanos, desprevenidos que se acharam de respostas que se imporiam muito mais imediatas e eficazes.

 

 

19
Fev22

Scrolling

Luisa Brito

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Quantas vezes passamos pela informação, de modo rápido e superficial, atentando apenas nas imagens e nas “gordas”, não chegando ao conteúdo ou, pelo menos, não chegando até ao fim do conteúdo e logo scrolling para outra notícia, e depois outra, e outra, e desligamos, já o polegar a acenar tendinite. E o que retivemos? Mesmo muito pouco. Talvez por isso, dali a pouco, mesmo desafiando a tendinite ou talvez mudando de gadget, de novo scrolling. Também nos relacionamentos tendemos a fazer scrolling, agora muito mais facilitado pela tecnologia. Detemo-nos, frequentemente, na forma e muito pouco no conteúdo ou, pelo menos, quase nunca chegando até ao fim do conteúdo. Talvez por isso, outra vez scrolling e, quantas vezes, enquanto ao lado, mais ou menos físico, do outro, a vida mentirosa dos adultos…. Como se corrêssemos atrás de qualquer coisa que não sabemos nomear, que não sabemos sequer se existe, no outro, ou em nós…      

02
Fev22

(sor)riso

Luisa Brito

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Um sorriso é o mais que podes dar e que podes receber. Por vezes recebes um sorriso ao dar um sorriso. Por vezes não. Por vezes respondes com um sorriso a outro sorriso. Por vezes não. Como em tudo, quem mais precisa é quem menos tem. Embora também, tantas vezes, quem mais dá é quem menos tem para dar. Um sorriso não tem preço. Não estamos a falar do sorriso-esgar, do sorriso de circunstância ou de conveniência. Esse, ao invés, gela e é capaz de matar. Esquece. Desse foge quanto puderes. Mas ainda que não tenhas mais nada para dar, dá um sorriso. Como um ponto de luz a partir do qual te ligas ao outro numa corrente de alma a alma, numa corrente do Bem.

20
Dez21

Família

Luisa Brito

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No Natal, de tanto a usar, rompe-se a palavra família. Alguém me dizia “por isso eu me sentia tão bem em casa dos teus pais, porque ali estava a família que eu não tinha” ou, que "sonhara ser uma pessoa de família, mas que a vida não tinha corrido como esperava". É certo que muitas vezes a vida não segue os caminhos que planeámos. Mas, será que é só a vida?

Cada um de nós faz a sua família. “quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança…” e eram os meus pais que criavam a nossa família. Desde que deixei de ser criança, passei a ser eu a criar a família das minhas filhas. Tens filhos? Tens pais? Irmãos? Amigos? Família de sangue ou de coração? Durante todo o ano preocupas-te com o seu bem-estar? Procuras cuidar? Esqueces-te de ti, aqui e ali, porque viver em família é isso mesmo? E também protestar uns com os outros, uns dos outros, mas se algum não está bem, parece que o mundo desaba e “quando um desanima, o outro agarra-se às próprias tripas e faz delas coração”. Mas se vivemos apenas para as nossas necessidades, para os nossos interesses, se não estamos preparados para cedências, então não foi a vida que não correu como esperávamos. Fomos nós que fizemos uma escolha. Ainda assim, tão legítima como qualquer outra. Apenas, sem cobranças da vida.

Feliz Natal (em Família)!


20
Set21

O sopro do coração

Luisa Brito

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Quantas vezes somos impelidos por algo que nos surpreende? O que guia as mãos de quem pinta? O que sussurra ao ouvido de quem compõe? O que conduz quem bem faz? De onde surgem as palavras necessárias? O que dita os nossos silêncios precisos? O que nos move ao encontro? O que nos faz correr do encontro? O que leva ao abraço apertado? O que afasta o nosso olhar? De onde vem esse conforto que a seguir nos envolve? Esse conforto que é certeza de que (não) é por ali.  Que sopro é esse que nunca se aparta de nós? Os que muito nos querem? Os que muito nos amaram? Os que não tolhem, mas sempre, sempre nos acompanham, nessa Luz, nesse sopro Bom e de Bem. Nesse sopro do coração…

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    Que maravilha professora ☺️ Tínhamos planeado ir a...

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