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Hostel

A vida privada de cada um de nós compreende a sua intimidade, mas não se esgota nela. Afinal, como dizia a poetisa “Como se um grande amor cá nesta vida não fosse o mesmo amor de toda a gente!...”.

Hostel

A vida privada de cada um de nós compreende a sua intimidade, mas não se esgota nela. Afinal, como dizia a poetisa “Como se um grande amor cá nesta vida não fosse o mesmo amor de toda a gente!...”.

30
Jun18

Como no Amor

Luisa Brito

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 Amor e Luto são velhos conhecidos. Mais tarde ou mais cedo, sem que o possamos evitar, acabam por se encontrar. Não há Luto sem Amor. E sem Amor o Luto não faz sentido. Por isso, no Amor e no Luto as emoções são siamesas. E confundem-nos, porque oscilam entre momentos de encantamento como no Amor, ou de angústia como no Luto (e às vezes no Amor…), e uma apatia que nos desconcerta. Como se tudo o que sentíamos momentos antes, subitamente, deixasse de ser. Mas logo a seguir, tudo retorna, por vezes, com uma intensidade muito maior do que anteriormente. E assim é em ciclos, que se vão esbatendo... É que a alma alucina, mas o corpo defende-se. A permanente exaltação do Amor ou da Dor poderia ser desastrosa. É a luta pela sobrevivência...

23
Jun18

Hostel Budapeste

Luisa Brito

Mosaico Budapeste.jpgUm Hostel em Budapeste. Um dos espaços mais acolhedores e místicos que já conheci (Fotos: Raquel de Castro)

 

Lá fora, Budapeste desafia-nos. Calcorreamos ruas, pontes, colinas, subterrâneos e, no final do dia, regressamos ao Hostel cobertos de pó, de suor, de fome e de prazeiroso cansaço, e então alcançamos que o deslumbramento continua, cá dentro... 

… Por fora não se distingue. Mas franqueado o portão, o que à partida poderá parecer entrópico, depressa acaba por nos levar a descobrir, uma vez e outra, os mais deliciosos pormenores. Em casa fora de casa. O Hostel não só nos acolhe como, em cada objeto, evoca memórias esquecidas. Do geral para o particular, de corpo, mente e coração abertos, deixamo-nos envolver por este espaço em que, a cada recanto, o místico aparece casado com o profano em juras de amor eterno.

Os talheres de prata evocam festas rumorosas. Que dama vaidosa pavoneou colares e leques e em que jogos de sedução? Que palavras frias ou que frases apaixonadas dedilharam estas teclas? Que reflexos nasceram já destes espelhos que se atrevem connosco a cada esquina? Que palavras trocam os amantes, pintados nas paredes, que dão viço às plantas do jardim?

Fazemo-nos à escada de pedra e ferro, demorando a cada degrau. Numa janela, o Rato Mickey parece zelar a meninice que teima em nós. E nos varandins, lençóis e toalhas a cheirar a lavado evocam corpos vivos e renovados. Mas o aroma que vem da cozinha celebra já outros pecados…. Antecipadamente deleitados, abandonamo-nos nas cadeiras do terraço.

Um ou outro hóspede, mais ou menos residente, saúda-nos. Trocamos palavras e sorrisos na linguagem apátrida dos corações. E espreguiçamos o corpo, enquanto lentamente nos confundimos com a Alma do Mundo…

Anoitece. Acima, o céu ruborizado continua a prometer. No velho rádio alguém sussurra ”… Si puedes tu con Dios hablar…”. Na mesa, as pautas amarelecidas pedem que lhes devolvam a voz, enquanto o piano diz à bicicleta: “Se me desses espaço …”.

Nas nossas mãos, a lente, gulosa de tanta Beleza, ganha vontade própria. Agora mais próximo, agora mais longe, não tem sossego. Quer aproveitar o dia que aos poucos se vai recolhendo.

E o Hostel, impossível de ser engolido pelo tempo da memória, perpetua-se na memória do tempo, qual imagem viva e de cores permanentes.

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