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Hostel

A vida privada de cada um de nós compreende a sua intimidade, mas não se esgota nela. Afinal, como dizia a poetisa “Como se um grande amor cá nesta vida não fosse o mesmo amor de toda a gente!...”.

Hostel

A vida privada de cada um de nós compreende a sua intimidade, mas não se esgota nela. Afinal, como dizia a poetisa “Como se um grande amor cá nesta vida não fosse o mesmo amor de toda a gente!...”.

31
Jul18

A propósito de uma conversa...

Luisa Brito

Quando nascemos, alguma divindade marca com uma cruz preta o nosso nome e a partir daí a vida não nos dará tréguas, não encontraremos senão obstáculos, chacota, ciladas, e teremos de suar a mais pequena alegria, remando, lutando contra a corrente, vendo os afortunados a deslizar na margem, de trunfo na mão, e sem nos permitirem a menor distracção, pois é isso que se espera de nós, que cedamos um instante ao desânimo para que a arma penetre até ao cabo. 

 

Julio Ramón Ribeyro in  Prosas Apátridas

27
Jul18

Pontes

Luisa Brito

… a mais certa certeza de que gosto de ti, como gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.

Nuno Júdice, “É isto o Amor in  Pedro, Lembrando Inês”

 

Há quem defenda que a amizade é uma forma de amor. Mas que, ao contrário de alguns amores, a amizade nunca morre. Pois eu penso que se existem duas palavras “amor” e “amizade” (aliás não conheço nenhum idioma em que a palavra seja a mesma) é porque não devem ser sinónimas. A nossa vida é constituída por muitos compartimentos que incluem, entre outros, trabalho, lazer, família e também amizade e amor. E quantos mais tivermos preenchidos, tanto melhor. Se menosprezamos o amor em detrimento da amizade é, talvez, porque nos queremos convencer de que, porque não temos amor, ele não faz falta… Já o oposto, também pode correr mal porque, se o amor termina, ficamos sem amor e sem amigos…

Mas claro que amor e amizade têm pontos comuns e, por vezes e com sorte, até sujeitos comuns. E da mesma forma que há diversas formas de amor, eu acho que também há diversas formas de amizade, pois não nos relacionamos com todos os amigos de igual maneira. Seja como for, tanto o amor como a amizade são sempre pontes. E ao longo da vida que bom que vamos construindo novas pontes. Mas sempre pontes com dois sentidos, pois que se baseiam na reciprocidade. Também Neruda dizia “o meu amor alimenta-se do teu amor…” Pois também a minha amizade se alimenta da tua amizade. E, portanto, não acho que seja verdade que a amizade, ao contrário do amor, nunca morra. Tendemos é a esquecer que, em ambos os casos, é eterno enquanto … é recíproco. E a eternidade pode dar uma enorme canseira, mas é o que verdadeiramente importa.

20
Jul18

Da Fé...

Luisa Brito

Fé 1-1.jpg

                         

  Testamento, Abbé Pierre

 

 

Quem me ampara sem condicionar

Quem, não me impedindo a queda, ajuda a levantar

Quem não me prende a mão nem o coração

A Quem pergunto a opinião, quando já tomei a decisão

De Quem sinto o ralho, num coração pesado

De Quem adivinho a aprovação, num coração alado

A Quem não tenho de explicar, porque me conhece as razões

A Quem não preciso pedir, porque sabe o que me falta

Mas se peço

é Sabedoria, é Amor

A Quem agradeço o Doce

De Quem aceito o Amargo

que dá sabor ao Doce

Com Quem converso e me responde

nas vibrações deste coração

E chamam-lhe Oração

Com Quem sinto esta Intimidade e esta Cumplicidade

E chamam-lhe Fé

Quem está acima das leis,

porque a Sua Lei é só Uma

Quem Se fez igual a mim

Porque o Amor é uma ponte….

Quem reconheço no sol e na chuva,

no sorriso e no choro,

no Belo e no menos Belo,

na Vida e na Morte

Quem não consigo explicar,

se está dentro de mim e me contém

Que é a um tempo Pai, Filho e o Espírito do Todo

E assim dito resolve Tudo.

 

18
Jul18

E porque não?...

Luisa Brito

- Mãe, eu quero tocar a Lua.

- Não pode ser filha, a Lua está muito longe...

- Não faz mal. Tu pões uma escada.

                     (Raquel, 3 anos)

12
Jul18

Sensibilidade(s)...

Luisa Brito

Quando lancei o blogue, enviei a alguns dos mais próximos umas palavras à guisa de explicação sobre o nome “Hostel” que surgiu do primeiro post, uma vez que um hostel é uma verdadeira rede social... E da mesma forma acrescentei que seria aqui que passaria a partilhar coisas íntimas, mas não privadas! Afinal, eu acho, coisas semelhantes ao que, pelo menos, alguns de nós eventualmente sentem ou já sentiram, num ou noutro momento das suas vidas.  Partilhar assim estas intimidades, como uma forma de melhor me dar a conhecer, a quem já me conhece, e de me fazer entender, por quem não tem de me entender. E alguns mostraram espanto pela minha dita coragem por esta partilha. E se nuns casos esse espanto se traduziu numa saudação, noutros quase me fez sentir, sei lá, como alguém que tivesse tido a coragem de sair do armário… E ainda que fosse esse o caso, seria (é) também lamentável precisar de ter coragem para alguém se assumir como é… 

E fiquei a pensar… Como se a autenticidade pudesse, não só causar espanto como, mesmo ser incómoda…

10
Jul18

Monólogo a toda a hora

Luisa Brito

       

5 Gil Vicente.jpg

                                   Auto da Lusitânia, 1531

 

 Fazem-me falta os meus sentidos. Sinto-me a saltar sem rede. Ainda por cima sofro de vertigens…. A que sabem os sonhos?

Porque pensas que me fazes bem? A nós? O que poderias fazer melhor por e para nós? Eu digo-te - O que eu te pedir! Confias? Em mim? Eu confio em ti! Não sentes? Mesmo sem rede. Achas que é isto o desejo? Só? Primitivo isto, o que sinto, o que sentes? Primitivo, só se for de primeiro. Porque o último é sempre o primeiro.

Não sei o que será amanhã. Tu sabes? Achas? Mas sei que esta inquietação vai passar. Mas só quando recuperar os meus sentidos...

Porque pensas que nos fazes bem? O que poderias fazer? Eu digo-te - O que eu te pedir! Confias? Prometo que só te pedirei o que nos quiseres dar. Bem, quase sempre… Que às vezes é preciso roubar, para o outro saber o que queremos dele.

És como um monólogo a toda a hora. É isto que tu queres? Deixas-me dizer o que eu quero? Só a ti? Ao teu ouvido? Diz que sim. A mim!

 

06
Jul18

Luz e Sombra

Luisa Brito

LUNA.JPG

Um amigo teve a generosidade de me enviar palavras muito bonitas. Eu agradeci um pouco encabulada, porque me veio à ideia este conto que circula por aí:

Uma noite um velho índio Cherokee conversava com o seu neto sobre a batalha que existe dentro das pessoas. O avô disse: “Existem dois lobos dentro de nós. Um é mau. É raiva, inveja, ciúme, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, mentira e ego. O outro é bom. É alegria, serenidade, fé, generosidade, humildade, esperança, paz, perdão, verdade e compaixão.” O neto pensou um pouco e perguntou ao avô: “E qual deles vence? “O velho índio olhou para o neto e respondeu: “Aquele que melhor alimentarmos.”

 

 

06
Jul18

De ser Mãe (2x)…

Luisa Brito

Imagem1.png

Minha Filha. Alegrias e tristezas. E é assim a vida. Partilhamos risos e já abafei algumas lágrimas para conter as tuas. E assim será. Sempre, a minha força a tua força. As tuas vitórias as nossas. As tuas ansiedades desafios aos meus argumentos de mãe. Diz o poeta que quando alguém nasce fica tudo como estava… menos para a sua mãe. E assim, quando tu nasceste eu permaneci mulher, mas mais plena... Mas o poeta não diz enquanto cresce um filho. Enquanto um filho cresce, a plenitude da mãe também cresce. Porque ser mãe e ser filha é coisa da natureza, mas ser amor e ser amiga é coisa do coração. E o coração da mãe dilata-se no peito com as tuas alegrias. E contrai-se feito escora com as tuas tristezas. Porque, Filha, este amor é abrigo, é cumplicidade, é certeza, é eternidade.

Gosto de ti, Filha, até ao céu e ao mundo inteiro (2x)…

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