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Hostel

A vida privada de cada um de nós compreende a sua intimidade, mas não se esgota nela. Afinal, como dizia a poetisa “Como se um grande amor cá nesta vida não fosse o mesmo amor de toda a gente!...”.

Hostel

A vida privada de cada um de nós compreende a sua intimidade, mas não se esgota nela. Afinal, como dizia a poetisa “Como se um grande amor cá nesta vida não fosse o mesmo amor de toda a gente!...”.

06
Mai20

A fila...

Luisa Brito

IMG_20191102_151613.jpg

 

Trabalho mais nesta pandemia do que trabalhava antes. Não sou a única. Uns porque as chefias receiam que as pessoas preguicem em casa e sobrecarregam-nas de tarefas, outros porque este regime de trabalho remoto de emergência torna mais demorado agilizar determinados procedimentos. E é preciso cozinhar, lavar, limpar, passar, cuidar dos nossos, em suma, organizar a vida que não se esgota no trabalho. Alguns de nós, por outro lado, lamentam-se da falta de ocupação, discutem as melhores opções de receitas culinárias ou mesmo de take-away, enquanto se vai brincando com o tamanho da roupa que teima em mingar...

Interrompo o trabalho para lanchar. Ligo a TV e o que eu vejo é uma fila de pessoas à espera de uma doação de géneros alimentícios. A maior parte destas pessoas, mesmo com máscara, tapa a cabeça, não quer ser filmada. As pessoas têm vergonha de pedir. Devíamos nós ter vergonha que  tivessem de pedir... Há gente a passar fome. Mesmo ao pé de nós. A pandemia é democrata, não distingue entre ricos e pobres, mas as consequências da pandemia distinguem muito bem uns dos outros.  Eu agradeço pelo trabalho que tenho e, de cada vez que me ocorrer lamentar-me, pensarei nisto... envergonhada…

 

02
Mai20

O parafuso

Luisa Brito

O parafuso.jpg

 

Tenho no quarto um espelho de toucador. Além de fazer o que os espelhos fazem, que é refletir, também tem espaço de arrumação, de toucador.... Há algum tempo, a estrutura superior perdeu um dos parafusos, soltou-se de um dos lados e ficou bamba. Fiquei triste porque gosto muito do espelho. Procurei o parafuso por todo o lado, procurei resolver com outros parafusos, mas ou eram grandes demais ou pequenos demais. Tentei encontrar uma solução para fixar a parte superior, mas nada. Podia ter removido aquela estrutura, que o espelho continuaria útil como antes. Mas eu gosto dele exatamente porque tem aquele enfeite. Podia também ter comprado outro, mas não. Resolvi encaixá-lo na decoração da melhor forma possível e passou a haver mais cuidado quando se lhe faz a limpeza. Em suma, aceitei que tinha aquele problema.

Isto já foi há muitos meses. Eu acho que há mais de 1 ano. Hoje, sem procurar, aparece-me um parafuso vindo do nada e, sei lá porquê, tive um feeling que era o parafuso que (me) faltava.

Vai-se a ver, era mesmo. Encaixou no seu buraquinho e depois enroscou-se muito apertadinho no seu pinchavelho como só ele podia.

E pensei que o Universo está sempre a enviar-nos lições. Foi só aceitar, ter paciência, que o tempo se encarregou de colocar o parafuso que faltava no seu devido lugar…

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