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Hostel

A vida privada de cada um de nós compreende a sua intimidade, mas não se esgota nela. Afinal, como dizia a poetisa “Como se um grande amor cá nesta vida não fosse o mesmo amor de toda a gente!...”.

Hostel

A vida privada de cada um de nós compreende a sua intimidade, mas não se esgota nela. Afinal, como dizia a poetisa “Como se um grande amor cá nesta vida não fosse o mesmo amor de toda a gente!...”.

19
Fev22

Scrolling

Luisa Brito

Scrolling foto.jpg

 

Quantas vezes passamos pela informação, de modo rápido e superficial, atentando apenas nas imagens e nas “gordas”, não chegando ao conteúdo ou, pelo menos, não chegando até ao fim do conteúdo e logo scrolling para outra notícia, e depois outra, e outra, e desligamos, já o polegar a acenar tendinite. E o que retivemos? Mesmo muito pouco. Talvez por isso, dali a pouco, mesmo desafiando a tendinite ou talvez mudando de gadget, de novo scrolling. Também nos relacionamentos tendemos a fazer scrolling, agora muito mais facilitado pela tecnologia. Detemo-nos, frequentemente, na forma e muito pouco no conteúdo ou, pelo menos, quase nunca chegando até ao fim do conteúdo. Talvez por isso, outra vez scrolling e, quantas vezes, enquanto ao lado, mais ou menos físico, do outro, a vida mentirosa dos adultos…. Como se corrêssemos atrás de qualquer coisa que não sabemos nomear, que não sabemos sequer se existe, no outro, ou em nós…      

02
Fev22

(sor)riso

Luisa Brito

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Um sorriso é o mais que podes dar e que podes receber. Por vezes recebes um sorriso ao dar um sorriso. Por vezes não. Por vezes respondes com um sorriso a outro sorriso. Por vezes não. Como em tudo, quem mais precisa é quem menos tem. Embora também, tantas vezes, quem mais dá é quem menos tem para dar. Um sorriso não tem preço. Não estamos a falar do sorriso-esgar, do sorriso de circunstância ou de conveniência. Esse, ao invés, gela e é capaz de matar. Esquece. Desse foge quanto puderes. Mas ainda que não tenhas mais nada para dar, dá um sorriso. Como um ponto de luz a partir do qual te ligas ao outro numa corrente de alma a alma, numa corrente do Bem.

20
Dez21

Família

Luisa Brito

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No Natal, de tanto a usar, rompe-se a palavra família. Alguém me dizia “por isso eu me sentia tão bem em casa dos teus pais, porque ali estava a família que eu não tinha” ou, que "sonhara ser uma pessoa de família, mas que a vida não tinha corrido como esperava". É certo que muitas vezes a vida não segue os caminhos que planeámos. Mas, será que é só a vida?

Cada um de nós faz a sua família. “quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança…” e eram os meus pais que criavam a nossa família. Desde que deixei de ser criança, passei a ser eu a criar a família das minhas filhas. Tens filhos? Tens pais? Irmãos? Amigos? Família de sangue ou de coração? Durante todo o ano preocupas-te com o seu bem-estar? Procuras cuidar? Esqueces-te de ti, aqui e ali, porque viver em família é isso mesmo? E também protestar uns com os outros, uns dos outros, mas se algum não está bem, parece que o mundo desaba e “quando um desanima, o outro agarra-se às próprias tripas e faz delas coração”. Mas se vivemos apenas para as nossas necessidades, para os nossos interesses, se não estamos preparados para cedências, então não foi a vida que não correu como esperávamos. Fomos nós que fizemos uma escolha. Ainda assim, tão legítima como qualquer outra. Apenas, sem cobranças da vida.

Feliz Natal (em Família)!


20
Set21

O sopro do coração

Luisa Brito

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Quantas vezes somos impelidos por algo que nos surpreende? O que guia as mãos de quem pinta? O que sussurra ao ouvido de quem compõe? O que conduz quem bem faz? De onde surgem as palavras necessárias? O que dita os nossos silêncios precisos? O que nos move ao encontro? O que nos faz correr do encontro? O que leva ao abraço apertado? O que afasta o nosso olhar? De onde vem esse conforto que a seguir nos envolve? Esse conforto que é certeza de que (não) é por ali.  Que sopro é esse que nunca se aparta de nós? Os que muito nos querem? Os que muito nos amaram? Os que não tolhem, mas sempre, sempre nos acompanham, nessa Luz, nesse sopro Bom e de Bem. Nesse sopro do coração…

03
Set21

A vida ensina

Luisa Brito

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É verdade que à medida que vivemos deveríamos ir aprendendo com o que acontece aos outros e, principalmente, com o que nos acontece a nós. Por isso os mais velhos são geralmente mais sábios. Diz o povo que têm a sabedoria da idade ou a sabedoria da vida. Mas nem sempre assim é. Quantas vezes ouvimos dizer “parece que não aprendeu nada com a vida”. O povo também diz que à primeira quem quer cai e à segunda cai quem quer. Mas pessoas que, independentemente de género ou idade, passaram por situações muito difíceis, permanecem muitas vezes no mesmo registo, repetindo os mesmos erros.

E quantos há que replicam os mesmos padrões de que foram vítimas. Quantas vezes o agressor vem de um ambiente de agressão e a acha, por isso, normal. Uma mãe cuja filha era vítima de agressão por parte do namorado e entendia isso como sinal de amor… A mãe, ela própria, também vítima de agressão. A vida devia ensinar a recusar o que nos tira a dignidade, o que nos rouba o respeito próprio. Mas, a vida pede a cada um de nós autenticidade como senha, sem o que é muito difícil aprender. Porque para aprender é necessário abrir mão de ideias feitas, de velhos padrões e, sobretudo, abrir mão do ego para compreender que aquilo que nos acontece não é da responsabilidade exclusiva dos outros. Nunca é, pois, fácil de entender. Mas nem todos somos iguais. Uns há que são melhores alunos, almas mais antigas que juntam já incontáveis ensinamentos. Outros, almas mais jovens, têm ainda muitas viagens para realizar, muitas aulas por assistir. É verdade que a vida ensina, mas cada um de nós tem o seu próprio ritmo de aprendizagem.

28
Ago21

Pudor

Luisa Brito

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Pudor, diz o dicionário, é um sentimento que significa vergonha, constrangimento, embaraço. Parece ser uma palavra datada. A palavra, não o sentimento. Isabel Allende diz que nunca escreveu um livro erótico, porque não o poderia escrever enquanto a mãe fosse viva (por pudor) e depois da mãe falecer deixou de ter interesse em o escrever. Partilho o meu entendimento das pessoas e das coisas. Por pudor, são partilhas íntimas mas não privadas. Embora sejam muitas vezes as partilhas privadas doutros que também fornecem substrato para o meu crescimento. Todos somos vizinhos cuscos por detrás das nossas cortinas. Todos sentimos atracção por essas partilhas, mais ou menos privadas, que fazem disparar reacções/comentários, por vezes, também de quem espreita por detrás de identidades mais ou menos forjadas (por pudor?).  Também por isso, neste meu pudor existe uma parte que é receio. Receio de ver vandalizadas as minhas privacidades por quem não tem (a mesma) sensibilidade. Situações, pessoas, sentimentos, registos, tudo o que eu sinta um furo acima de íntimo é para os chegados quando não, mesmo, só para mim. Não que o meu mundo seja muito original, “como se um grande amor cá nesta vida não fosse o mesmo amor de toda a gente”. E não só amor, embora convenhamos principalmente Amor. E escrever sobre o que é privado é um ir para dentro cá fora. E essa viagem pode ser difícil e dolorosa. Com um pouco de perspicácia e muita empatia, sentimos que quem se desnuda, por vezes, está ao invés por (pu)dor a cobrir com um trompe l'oeil o que é verdadeiramente privado, por vezes até para si próprio. Somos afinal muito mais iguais nas nossas diferenças. Também no que ao pudor diz respeito.

05
Fev21

Um lugar (mesmo) estranho…

Luisa Brito

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Diogo Faro assume-se como activista dos direitos das minorias, escreve livros e crónicas e parece que também entende ser comediante. Eu tenho lido algumas crónicas do Diogo Faro e não desgostei. A minha filha sendo seguidora nas redes sociais, quando ouviu falar que ele ía apresentar este espetáculo de stand-up comedy “Um lugar estranho”, ficou curiosa e desafiou-nos, a mim e à irmã para irmos ver. Em virtude da situação pandémica, o espéctaculo teve sucessivos adiamentos, e acabámos por ir em Novembro passado.

O espetáculo começou muito bem, com uma projeção de excertos de filmes de alturas muito criticas da História. Alturas de forte privação das liberdades mais fundamentais do Homem, pelo que achei que estando a começar bem, só podia continuar melhor. Engano de alma ledo e cego… Não me recordo já de ter estado alguma outra vez, num espéctaculo, o tempo todo com duas perguntas na minha cabeça: quanto tempo falta para isto acabar? e; quanto é que eu paguei por isto?   

O DF não é comediante, nem actor, nem sabe por isso mesmo estar em palco. Embora pudesse, por respeito ao público, ter ensaiado. Há coisas que não sendo inatas, podem sempre aprender-se. Preferiu fazer rir recorrendo à piada fácil, no mínimo vulgar, apoiada o tempo todo no palavrão e em alusões a uma sexualidade, eu diria, muito focada na extremidade inferior das costas…Provavelmente, em virtude da falta de ensaios prévios, a espontaneidade resultou em que pretendendo apontar as falhas de uma sociedade discriminadora e machista, em vários momentos me incomodou com piadas que, no meu entender, revelaram isso sim o carácter machista do próprio, com desrespeito pelas mulheres, incluindo pelas que não são Portuguesas… O sacrifício com que muitas vezes foi para a cama com mulheres muito lindas, mas muito burras... Como em certas situações, isso o chegou a levar às lágrimas, enquanto elas, burritas, sem perceber o que se estava a passar, lhe enxugavam as lágrimas com beijos… E, grande risota…. Ou como as Espanholas sempre gritam na cama “Ay cariño…”

E podia continuar com os exemplos, claro está sem conseguir usar aqui o mesmo vernáculo. À saída, confesso que estava incomodada, porque não sabia o que a minha filha, seguidora do dito, teria achado de tudo aquilo. Mas a miúda estava decepcionada. Do que lia do DF, não estava à espera duma coisa daquelas, tão vazia, de tão mau gosto e com mensagens tão contraditórias. Na altura, apeteceu-me pegar no computador e escrever…, mas não o fiz pela minha filha. Afinal, ela tinha acabado de ter uma decepção, não era preciso estar a bater mais no ceguinho... E virei a página. Até agora, que se vem a saber que o DF, além de não ter jeito para comediante, de ter muita falta de gosto, e de não me ter parecido nada activista da igualdade de género, pelo contrário, também é daqueles que se borrifam para as indicações das autoridades de saúde e não cumprem a tão fundamental distância social no combate à pandemia.  

De facto, surgiu nas redes sociais uma foto de grupo, com mais de dez pessoas abraçadas e a celebrar a recente passagem de ano, onde DF aparece de copo na mão, a apontar para a câmara.  Ai as selfies, ai as selfies… Fica lá tudo, para o melhor e para o pior…

DF veio responder a um chorrilho de críticas, assumindo que “a festa de passagem de ano em questão foi um ajuntamento de pessoas arriscado e desnecessário”. Com certeza que foi, bem como noutra foto do final de Dezembro passado, onde o mesmo DF aparece novamente com um grupo de amigos numa esplanada na Costa da Caparica. Isto já por si, seria condenável. Mas não foi este comportamento errado e irresponsável que originou a enorme onda de críticas, que até já extravasou as redes sociais. É que o DF assinou uma crónica a 30 de Janeiro passado, onde, entre outras coisas, escreveu “… Quase todos os dias aparecem imagens de festas, algures em Portugal, de 20, 30 ou mais pessoas a cantar e dançar tão embebidos em alegria como egoisticamente alienados da realidade.” e “Entre as festas e o roubo de vacinas, que continuem a ser assim se conseguirem dormir bem à noite com isso. Mas, se não for pedir muito, evitem esfregar na cara de todos os outros”. E respondendo à onda de críticas, DF responde “Noutra ocasião, poderei adereçar o ódio que me é adereçado constantemente, diariamente, e de forma tão violenta, tanto de anónimos como de colegas, mas não é altura.” Vitimiza-se portanto, uma estratégia partilhada com André Ventura de cujas mentiras, aliás, já tinha falado…

Ora quando eu tomei conhecimento deste episódio, pensei que tudo se ajusta. … Como dizia Gandhi, “Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está ocupado em fazer o errado noutra”. Numa nota biográfica na “Esfera dos Livros” diz-se que DF “Gosta mesmo é de viajar. E, para isso, Diogo Faro precisa que os seus livros vendam bem …” Ora o DF descobriu que esta coisa de ser activista de causas sociais, afinal pode render muito…

28
Jan21

Fugir para o Outro...

Luisa Brito

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Os dias estão tristes, como se o tempo tivesse sido contagiado pela tristeza das pessoas. À nossa volta um silêncio pesado que contrasta com a parafernália que as televisões nos mostram dos hospitais. Em casa de cada um de nós a vida continua. Os que estão sentados no sofá, no conforto do lar, as tecnologias à mão de semear. Os que são obrigados a adaptar-se, com filhos pequenos e em teletrabalho. Os que vivem consumidos para cuidar dos seus idosos. Os que se disponibilizam para levar conforto aos outros, presencial ou à distância. Os que são contra o confinamento porque, se não se morre de Covid19, morre-se de fome. Os que estando positivos, não se isolam e, infectam outros, por estupidez ou por necessidade de sobrevivência. Os que são governantes já em “burnout” de 80 000 anos… Os que, ainda assim, em tempo de guerra não decretam tréguas à maledicência. Os que relatam espaços ajardinados de hospitais, agora transformados em depósitos de cadáveres refrigerados. Os que tendo os seus infectados contam ansiosamente os 14 dias desejando que passem depressa, sem complicações de maior. Os que se vêem obrigados a viver confinados com agressores, físicos e/ou psicológicos. Os que se vêem privados de abraçar e de beijar os seus Amores, por agora, ou para sempre. Os que se vêem privados do seu modo de sustento. E aqueles que embora tenham vontade de fugir, não têm para onde, porque não há para onde fugir. Ou melhor, sempre há! Fugir para dentro de nós. Fugir para o Outro….

 

28 de Janeiro de 2021

19
Jan21

O jovem do semáforo

Luisa Brito

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A pandemia agravou tudo. Muitas das actividades que dependem diretamente do contacto entre as pessoas têm estado mais ou menos suspensas. A cultura é uma dessas áreas. Logo a cultura que é o alimento da alma… Quem já sobrevivia mal, sobrevive pior.

Costumo passar num semáforo que é um ponto de pedintes. Antes da pandemia, costumava estar por lá um homem que exibia as suas malformações de um jeito queixoso. Antes, já por lá tinham passado imigrantes Romenos. Não os vi mais. Desde que começou a pandemia, quem vejo por vezes é um jovem que, em vez de exibir malformações, exibe os seus dotes de malabarista (até com os carros, quando o sinal abre…) de um jeito solto e leve. Ao contrário de outros que nunca dão porque “é para comprar droga” ou porque “o Estado é que tem obrigação de cuidar destes casos”, eu pertenço àqueles que dão sempre “se pede, é porque pode menos do que eu”. A arrumadores, seja a quem for. Também já me tem acontecido ficarem a olhar com desdém para a minha contribuição e eu, nesse caso, ”olhe que é o que posso dar. Se não quer, dê cá que a mim dá-me muito jeito”. E não. Não dou nada que seja ofensivo para ninguém. Nesse caso, acho melhor não dar. E procuro acompanhar a minha contribuição com umas palavras, com um olhar de ânimo, porque acho que nem só de pão vive o Homem...

E com o jovem malabarista, igual. Deixei de o ver por uns tempos. Mas um dia destes, lá estava ele a fazer os seus malabarismos. O verde estava a cair e eu procurei na minha mala (de mulher…) qualquer ajuda. Com a precipitação e a minha falta de vista, acabei dando menos do que gostaria ou poderia. Mas ele faz sempre um sorriso tão bonito, com o seu olhar tão limpo, no seu rosto tão escurecido… E, entretanto, atrás de mim já se apitava e eu já ía a arrancar, mas não pude, porque da janela do carro da frente, que não andava, sai uma mão a agitar uma nota. O rapaz já distraído a desviar-se dos carros e eu a buzinar-lhe para lhe chamar a atenção para o sujeito da nota. Lá foi ele a correr. Ficou felicíssimo! E eu que fiquei com pena da minha contribuição não ter sido maior (caramba! Podia ter-me borrifado para a fila atrás de mim!), fiquei com o coração quentinho de ver a felicidade estampada no rosto e nas mãos do jovem malabarista agradecido. E fiquei a pensar como o exemplo, qualquer que ele seja, é contagiante. Se alguém nos indica o caminho certo, o caminho da solidariedade, alguns de nós seguem a pista. O Estado também somos todos nós. E se não mudámos a vida do jovem, mudámos pelo menos o seu ânimo naquela hora. E o retorno que tivemos foi mil vezes maior.

03
Set20

A mulher seminua

Luisa Brito

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Tinha-se dominado. Levantou a cabeça, olhou o tecto pintado da sala, cujas pinturas o tinham distraído tantas vezes durante as discussões intermináveis das Juntas Directivas; olhou, principalmente, aquela mulher seminua que lhe sorrira uma vez por semana durante vinte anos, a única que, de verdade de verdade, lhe tinha sorrido. Olhou o espelho do fundo, onde a mulher se refectia e de onde lhe fazia também o mesmo trejeito, que ele se comprazia a olhar depois do outro para ter a ilusão de que eram duas irmãs gémeas que o amavam.  

Gonzalo  Torrente Ballester in A Bela Adormecida Vai à Escola

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