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Hostel

A vida privada de cada um de nós compreende a sua intimidade, mas não se esgota nela. Afinal, como dizia a poetisa “Como se um grande amor cá nesta vida não fosse o mesmo amor de toda a gente!...”.

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A vida privada de cada um de nós compreende a sua intimidade, mas não se esgota nela. Afinal, como dizia a poetisa “Como se um grande amor cá nesta vida não fosse o mesmo amor de toda a gente!...”.

23
Mar22

A Guerra

Luisa Brito

  Kharkiv.png

Milhares de pessoas na estação ferroviária de Kharkiv - Ucrânia (Março de 2022). (Fotografia confirmada como verdadeira)

Estávamos guardados para viver uma pandemia. E como se não fosse já suficiente, estávamos também guardados para viver uma Guerra aqui, mesmo ao lado, na velha Europa. A Primeira Guerra, a Segunda Guerra Mundial, pensávamos, não se repetirão jamais. Os tempos mudaram. As pessoas também. Aprende-se com os erros, a História ensina. Mas “a História ensina que os governos e as pessoas nunca aprendem com a História”. Como é que a Europa democrática, como é que o mundo democrático, desvalorizou um ditador? Porque os tempos são outros. O comunismo desvirtuado da antiga União Soviética, que nada tinha a ver com o comunismo que os jovens como eu idealizavam através de Lenine “Poderá uma nação que oprime outras nações ser livre?” ou de Karl Marx “O povo que subjuga outro, forja as suas próprias cadeias”, esse “comunismo” estava acabado. Pelo menos, assim o acreditavam muitos de nós. Enganámo-nos. Enquanto na velha Europa muitos advogavam o desinvestimento no armamento, dizendo não à guerra e sim a um mundo cada vez mais unido económica, social e politicamente, o ditador suspirava pelo regresso da Rússia czarista.

Antes da pandemia, tínhamos planeado uma visita em família à Polónia: Varsóvia e Cracóvia. Visitar Auschwitz-Birkenau. Será devastador, mas ainda assim necessário para que nós e os nossos filhos não nos esqueçamos que Hitler existiu, que foram cometidas atrocidades que estão para lá de qualquer adjectivo. Como dizia Viktor Frankl ”A maldade existe” e é preciso que não nos esqueçamos nunca disso. Agora que a pandemia nos deu tréguas, tínhamos voltado a planear essa visita. Mas a Polónia deixou de ser um destino de férias. A Polónia, refúgio de milhões de mulheres e crianças ucranianas, relembra-nos agora, de novo, a guerra. A sede alienada de poder que gera destruição e horror, o desprezo pelos direitos humanos, aqui mesmo ao lado, na velha e ”culta” Europa. Como é possível, meu Deus? Em pleno século XXI? Todos os dias as notícias desta guerra nos entram pela casa dentro. E dizemos para nós que não pode ser assim, que temos de nos proteger de tanta violência. Temos? Nós? Se mais uma vez é necessário que nenhum de nós esqueça que estão a ser cometidos crimes de uma guerra injustificável, que o Putin existe? Se ucranianos e russos se matam todos os dias, sem perceberem porquê? Se ninguém sabe o que ainda estará para vir? "Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar". A maldade existe! Nunca deixou de existir. E é preciso que não nos esqueçamos nunca disto. E que os países democráticos, que agora se mostram verdadeiramente unidos de forma plenamente solidária, nunca mais se deixem apanhar de mãos atadas na defesa dos direitos humanos, desprevenidos que se acharam de respostas que se imporiam muito mais imediatas e eficazes.

 

 

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