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Hostel

A vida privada de cada um de nós compreende a sua intimidade, mas não se esgota nela. Afinal, como dizia a poetisa “Como se um grande amor cá nesta vida não fosse o mesmo amor de toda a gente!...”.

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A vida privada de cada um de nós compreende a sua intimidade, mas não se esgota nela. Afinal, como dizia a poetisa “Como se um grande amor cá nesta vida não fosse o mesmo amor de toda a gente!...”.

07
Out18

O "delete"

Luisa Brito

DSC00463.JPG

 

Alguns de nós são conhecidos por terem o coração ao pé da boca. De facto, muitas vezes perante pessoas ou acontecimentos com os quais discordamos temos tendência a dizer a primeira coisa que nos surge. E, se essa acção suscita reacção, pode seguir-se um esgrimir de argumentos, com maior mas geralmente, com menor correcção. E fazemos questão de estar certos nos mais pequenos detalhes. E se podemos estar certos no conteúdo, por vezes a forma que usamos para expressar esse conteúdo pode fazer-nos perder, exactamente, aquilo que mais valorizamos: a razão. Antes de falar deveriamos pois reflectir, já que a palavra uma vez lançada jamais se recupera... E também porque o nosso cérebro é facilmente condicionável. Vejamos: é bem verdade que somos o que comemos, ou o que (nos) damos a comer. E isto em toda a abrangência do que somos e do que comemos. Tudo aquilo que alimentamos cresce em nós (é a velha história dos lobos...). E se sistematicamente criticamos maldizendo, estamos a sacrificar a crítica positiva que é elogio e agradecimento sinceros.

Mas se com a palavra falada é muitas vezes difícil ter isto presente, com a palavra escrita deveria ser muito mais fácil. Escrever é uma forma de nos escutarmos a nós e aos outros. Há muitas coisas que só compreendemos verdadeiramente quando as escrevemos (ou lemos). Pelo que ao escrever temos essa oportunidade, que não temos ao falar, de sopesar as palavras de modo a que, no final, restem as que são mesmo essenciais. E isto nada tem a ver com dissimular ou calar o que se sente ou pensa. Escrever deveria permitir-nos este exercício, que antes se equacionava com mais cuidado porque re-escrever pelo punho ou com a máquina consumia muito tempo. Agora é tudo muito mais imediato.  Mas com tantas funções que temos à disposição “copy-paste”, “insert”, na realidade usamos o “delete” menos do que deveríamos. Porque no final, o que não tem efectivamente importância, no dia seguinte já esqueceu e, entretanto, usou-se o tempo no que é verdadeiramente valioso e fecundo, para nós e para os outros.

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